Fernando Amaral, Chairman do Sendys Group, esteve em entrevista à Hipersuper, onde destacou a importância da independência da empresa para reforçar a proximidade aos clientes e a agilidade nas decisões, abordando também a internacionalização e o papel da tecnologia nas empresas.

“A independência tornou-nos mais rápidos e mais próximos dos clientes”

Entrevista publicada na Hipersuper Export
Fernando Amaral, Chairman do Sendys Group
Sendys Group tem uma longa história no desenvolvimento de software de gestão. Como é que a empresa evoluiu até ao momento atual?

Nós somos uma empresa com 43 anos e com vários momentos ao longo da nossa história. Tivemos origem em 1984 na Prólogica, dedicada ao desenvolvimento de software. Mais tarde passámos pela Capgemini, quando a empresa adquiriu a área de consultoria da Ernst & Young, e posteriormente fizemos um spin-off, mantendo sempre o foco no desenvolvimento de software de gestão.

Durante muito tempo trabalhámos sobretudo com pequenas e médias empresas (PME), refletindo a realidade do tecido empresarial português. A nossa estratégia foi sempre desenvolver soluções de gestão — contabilidade, recursos humanos e faturação. Nos anos 90 e início dos anos 2000 o software de gestão era visto como um “nice to have”. Com o tempo, isso mudou profundamente, impulsionado pela digitalização e integração de dados nas empresas. Hoje, tudo tem de estar integrado: produção, stocks, logística e tesouraria. Mais recentemente entrámos numa nova fase: a internacionalização.

Como surgiu o processo de internacionalização do grupo?

Podemos dividir esse processo em duas fases. Numa primeira fase fomos atrás dos nossos clientes portugueses, que começaram a expandir-se para mercados como Angola e Moçambique. Mais tarde criámos estruturas locais, escritórios e equipas, passando a abordar esses mercados de forma mais estruturada. Hoje temos uma presença forte nos PALOP, onde a proximidade legal e fiscal facilita a operação. Já mercados como Espanha, França ou Alemanha implicam processos muito diferentes.

Atualmente em que mercados estão presentes?

Temos escritórios em Luanda e Maputo, além de representação em Cabo Verde e no Brasil. Destaca-se também o Sendys Explorer, uma solução distribuída globalmente por uma multinacional, já implementada em 94 países e disponível em 27 línguas. Apesar da expansão, toda a produção continua em Portugal, com suporte global assegurado a partir de Leiria, 24/7.

Esse crescimento tem sido sobretudo orgânico. A escala é hoje um fator crítico?

É importante, mas temos de considerar que Portugal é um país pequeno. Somos uma das poucas empresas do setor que continua 100% portuguesa e independente, não pertencendo a fundos ou grupos estrangeiros. Essa independência permitiu-nos tornar a organização mais ágil, próxima dos clientes e com decisões mais rápidas.

Essa independência trouxe vantagens competitivas?

Sem dúvida. Trouxe maior proximidade aos clientes e rapidez na tomada de decisão. O desenvolvimento de produtos tornou-se mais eficaz e alinhado com as necessidades reais do mercado.